A Cidade de Davi em Jerusalém é considerada a parte mais antiga da Cidade Santa e está situada sobre uma formação montanhosa na parte sudeste à atual cidade velha de Jerusalém nos dias de hoje.

A presença da fonte d’água chamada de Gião(Gion ou Gihon em hebraico) foi o que proporcionou condições de desenvolvimento de uma civilização agrícola na região através de seus primeiros habitantes, os jebuseus(Yevussi em hebraico). Sendo assim o nome da vila existente nestas colinas era Jebus, conforme citado nas escrituras em I Cronicas 11:4-6.

“E partiu Davi e todo o Israel para Jerusalém, que é Jebus; porque ali estavam os jebuseus, habitantes da terra.

E disseram os habitantes de Jebus a Davi: Tu não entrarás aqui. Porém Davi conquistou a fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi.

Porque disse Davi: Qualquer que primeiro ferir os jebuseus será chefe e capitão. Então Joabe, filho de Zeruia, subiu primeiro à ela, pelo que foi feito chefe.”

A cidade dos cananeus e jebuseus, era composta de uma vila agrícola na parte inferior e uma fortaleza no Monte Sião. Com a conquista, Davi se instala na fortaleza de Sião e começa a construir desde Milo(colina no extremo sul) até a fortaleza de Sião. Com o desenvolvimento da cidade, esta foi se expandindo para o noroeste, na parte baixa e também na colina mais próxima, a cidade superior. Sua localização estratégica entre os vales de Cedron e Hinom permitiam uma boa defesa da cidade.

Nos dias de hoje a Cidade de Davi está fora das muralhas da cidade velha de Jerusalém, pois as atuais muralhas da parte sul foram construídas pelos otomanos somente durante o século XVI.

As primeiros escavações arqueológicos na Cidade de Davi foram realizados somente no ano de 1867, por Sir Charles Warren que era um oficial do Exército Real Britânico. Charles Warren foi o primeiro explorador oficial na Cidade de Davi, tendo iniciado uma escavação de uma passagem que hoje é conhecida pelo seu nome(Warren Staff).

Sir Charles Warren juntamente com seus parceiro, Charles Wilson, publico um livro sobre o seu trabalho em inglês. A história de sua expedição está publicada no site da Fundação para Exploração da Palestina: http://www.pef.org.uk/Pages/ProjJER1.htm

Em 1911 chega a Jerusalém Montague Brownslow Parker, capitão do Exército Britânico, filho de um Duke inglês que inicia tentativas secretas de escavar desde a Cidade de Davi até o Monte do Templo. Sua intenção era descobrir os utensílios do Templo e os tesouros dos Reis de Israel. Para isso, Parker suborna os vigias Turcos, até quem um dia, foi denunciado, o que pôs sua vida em risco, e para salvá-la Parker fugiu da Terra Santa, das mão dos muçulmanos, pelo porto de Jope(Yafo em Hebraico).

Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial, chegou a Jerusalém Raymond Weill, judeu de nacionalidade belga. Financiado pelo Barão de Rothschild ele iniciou a escavação da parte sul da Cidade de Davi, descobrindo alí várias ruínas importantes e uma região de sepulcros de pessoas nobres.

Durante o Mandato Britânico que iniciou as escavações em direção a região do Ofel que mais tarde deu base as explorações feitas British School of Archaeology em Jerusalém sob o domínio da Jordânia em 1961, até o ano de 1967. Pela então arqueóloga Kathleen Kenyon. Kenyon continuou escavando nesta região mesmo após a tomada da cidade pelo exército de Israel.

Nos últimos anos as escavações foram realizadas sob a administração de Ygal Shilo com ajuda de voluntários do mundo inteiro e doações de Mendel Kaplan, um milionário da África do Sul e muitos outros. Sob sua direção foi concluída a escavação da passagem de Warren até as torres que guardavam a fonte de Gião(Gion, Gihon).

Foram revelados os fundamentos de muitas casa do período do Primeiro Templo a cerca de 3.000 anos atrás, muitos artefatos vieram a luz. Entre estes um moeda achada ali com o nome de Gemarias Filho de Safã, o escriba, pois ao seu nome havia uma sala especial junto ao Monte do Templo, mais uma comprovação da veracidade das escrituras, que fazem referência em Jeremias 36:10.

“Leu, pois, Baruque naquele livro as palavras de Jeremias, na casa do SENHOR, na câmara de Gemarias, filho de Safã, o escriba, no átrio superior, à entrada da porta nova da casa do SENHOR, aos ouvidos de todo o povo.”

Na Cidade de Davi em nossos dias de hoje podem ser realizadas, bem como caminhar em frente a passagem de Warren até a fonte de Gião, para aproveitar melhor a experiência, sugerimos o uso roupa de banho e lanterna, o que lhe permitirá caminhar pelo canal aberto pelo Rei Ezequias até a fonte de Siloé.

Na parte superior da cidade foram descobertos prédios administrativos desde a época de Davi e na parte inferior o antigo túnel dos Cananeus que levava água para fora da cidade, a partir da fonte de Gião.

À Cidade de Davi o acesso é livre, mas o visitante que desejar andar pela passagem de Warren e descer pelo canal de Ezequias até a fonte de Siloé deverá pagar pela entrada na bilheteria do parque nacional.

Mesmo após 3.000 anos de história podem ser vistas ali as marcas da presença do povo de Israel e do Rei Davi, estas marcas nem o tempo conseguiram apagar.